Reflexões Sobre o Fim de Osama bin Laden
Por mais improvável que seja o fato de os EUA estarem forjando o assassinato de Osama Bin Laden, não haverá alternativas: eles precisam (e vão, creio eu) divulgar imagens do corpo. Mas acertam ao esperar. É necessário aguardar que a demanda surja e se solidifique, para então aquietá-la com o golpe certeiro de imagens convincentes. O mesmo deve ser feito com o restante das informações: aquelas que não forem confidenciais serão divulgadas em doses homeopáticas e certeiras, sempre respondendo a questões que venham a surgir. É balela a história de que enterraram Bin Laden no mar respeitando as 24 horas da tradição muçulmana. Em vez disso, desfizeram-se rapida e definitivamente de algo que certamente se transformaria em objeto de veneração e santuário de peregrinação para os extremistas.
Na remotíssima hipótese de os EUA estarem mentindo ou equivocados, o estrago será irreversível. O pior cenário possível seria Bin Laden aparecer num video dizendo algo como: "Acham que me pegaram, seus babacas?"
Bin Laden era uma pessoa essencialmente do mal e que dedicava-se incansavelmente a praticar o mal. Sua morte, da forma como foi, não por motivo de saúde ou outras causas naturais, mas sim com seu esconderijo sendo descoberto e invadido pelas forças americanas, sem qualquer ajuda do governo local, é um tapa na cara da Al Qaeda e um alívio para a sociedade mundial. Infelizmente temo que, a longo prazo, o mundo ocidental se encontre sem opção e precise combater ativa e abertamente o fundamentalismo muçulmano, cujos valores se chocam frontalmente contra os valores de liberdade tão cultivados na maior parte do ocidente e sobretudo nos Estados Unidos. Até quando as sociedades ocidentais aceitarão ver mulheres e crianças rotineiramente humilhadas e extirpadas de sua dignidade, ainda que isso seja atribuído a questões culturais ou religiosas? Até quando veremos pais que, mesmo por estas razões religiosas, mandam seus jovens filhos morrerem com bombas presas ao corpo com o único objetivo de matar civis? Até quando se tolerará sociedades que entregam armas nas mãos de crianças e as mandam para o combate? Os valores ocidentais são diametralmente opostos a tudo isso. Haverá espaço no mundo para tanta dicotomia e antagonismo? Até quando o mundo, e em especial os EUA, resistirão a combater um extremismo que acha que sua religião deve prevalecer sobre as outras, ditar a lei e governar países, que ensina o ódio nas escolas e prega abertamente o extermínio puro e simples de seres humanos?
O chamado mundo ocidental tem como um de seus pilares básicos a liberdade de religião, mas talvez acabe se deparando com uma incômoda situação na qual precise admitir que existe um setor fundamentalista islâmico cujos preceitos simplesmente não podem ser colocados em prática e não têm espaço no mundo atual, mais ou menos como foi com o holocausto. Por enquanto, o discurso é de que a guerra é contra os terroristas e não contra o Islã, e não poderia ser diferente. Mas a prática, cada vez mais, demonstra que a guerra aberta -- não contra a religião muçulmana, mas contra o extremismo muçulmano -- está cada vez mais próxima. É mais fácil combater o inimigo quando a guerra é declarada. No século passado, a Alemanha nazista e seu eixo do mal chegaram a tal ponto que o resto do mundo precisou intervir fisicamente na situação e depois desenvolver um plano de longo prazo, assegurando que aqueles valores não mais proliferassem. Apesar de todo o sofrimento e do imenso custo de recursos e de vidas humanas, graças a isso o mundo hoje é melhor do que seria se nada tivesse sido feito. A questão do extremismo islâmico, a meu ver, caminha para situação similar, porém muito mais complexa, em função de um sem-número de fatores políticos, geográficos e sociais.
Nesse eventual -- e, em minha opinião, perfeitamente plausível a longo prazo -- cenário, é difícil prever como se comportariam países poderosos e não necessariamente alinhados com o ocidente, como China e Rússia, entre outros. Seria isto combustível suficiente para uma guerra de larga escala?
Não sei em que geração acontecerá, nem se acontecerá. Todos sabemos as graves consequências das guerras. Mas me parece que chegará o momento em que os benefícios poderão compensar os custos, por maiores que eles sejam.
Na remotíssima hipótese de os EUA estarem mentindo ou equivocados, o estrago será irreversível. O pior cenário possível seria Bin Laden aparecer num video dizendo algo como: "Acham que me pegaram, seus babacas?"
Bin Laden era uma pessoa essencialmente do mal e que dedicava-se incansavelmente a praticar o mal. Sua morte, da forma como foi, não por motivo de saúde ou outras causas naturais, mas sim com seu esconderijo sendo descoberto e invadido pelas forças americanas, sem qualquer ajuda do governo local, é um tapa na cara da Al Qaeda e um alívio para a sociedade mundial. Infelizmente temo que, a longo prazo, o mundo ocidental se encontre sem opção e precise combater ativa e abertamente o fundamentalismo muçulmano, cujos valores se chocam frontalmente contra os valores de liberdade tão cultivados na maior parte do ocidente e sobretudo nos Estados Unidos. Até quando as sociedades ocidentais aceitarão ver mulheres e crianças rotineiramente humilhadas e extirpadas de sua dignidade, ainda que isso seja atribuído a questões culturais ou religiosas? Até quando veremos pais que, mesmo por estas razões religiosas, mandam seus jovens filhos morrerem com bombas presas ao corpo com o único objetivo de matar civis? Até quando se tolerará sociedades que entregam armas nas mãos de crianças e as mandam para o combate? Os valores ocidentais são diametralmente opostos a tudo isso. Haverá espaço no mundo para tanta dicotomia e antagonismo? Até quando o mundo, e em especial os EUA, resistirão a combater um extremismo que acha que sua religião deve prevalecer sobre as outras, ditar a lei e governar países, que ensina o ódio nas escolas e prega abertamente o extermínio puro e simples de seres humanos?
O chamado mundo ocidental tem como um de seus pilares básicos a liberdade de religião, mas talvez acabe se deparando com uma incômoda situação na qual precise admitir que existe um setor fundamentalista islâmico cujos preceitos simplesmente não podem ser colocados em prática e não têm espaço no mundo atual, mais ou menos como foi com o holocausto. Por enquanto, o discurso é de que a guerra é contra os terroristas e não contra o Islã, e não poderia ser diferente. Mas a prática, cada vez mais, demonstra que a guerra aberta -- não contra a religião muçulmana, mas contra o extremismo muçulmano -- está cada vez mais próxima. É mais fácil combater o inimigo quando a guerra é declarada. No século passado, a Alemanha nazista e seu eixo do mal chegaram a tal ponto que o resto do mundo precisou intervir fisicamente na situação e depois desenvolver um plano de longo prazo, assegurando que aqueles valores não mais proliferassem. Apesar de todo o sofrimento e do imenso custo de recursos e de vidas humanas, graças a isso o mundo hoje é melhor do que seria se nada tivesse sido feito. A questão do extremismo islâmico, a meu ver, caminha para situação similar, porém muito mais complexa, em função de um sem-número de fatores políticos, geográficos e sociais.
Nesse eventual -- e, em minha opinião, perfeitamente plausível a longo prazo -- cenário, é difícil prever como se comportariam países poderosos e não necessariamente alinhados com o ocidente, como China e Rússia, entre outros. Seria isto combustível suficiente para uma guerra de larga escala?
Não sei em que geração acontecerá, nem se acontecerá. Todos sabemos as graves consequências das guerras. Mas me parece que chegará o momento em que os benefícios poderão compensar os custos, por maiores que eles sejam.
