Temporama

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Autocrítica

Vou explicar por que, honestamente, considero que escrevo de forma medíocre.

Raramente fico satisfeito com o que escrevo. Não fico contente com o resultado, e não o ajusto por pura falta de competência. Quando, então, leio alguns outros autores, percebo a colossal extensão do quanto ainda preciso melhorar.

Naturalmente, escrever envolve dois lados: o de quem escreve e, claro, o de quem lê. Para mim,  escrever - seja um blog post, uma história ou um mísero email - consiste em traduzir, com a fidelidade possível, pensamentos em letras. Junto com os pensamentos, mas de forma nem tão exata assim, procuro também infundir no texto meus sentimentos e emoções a respeito do assunto tratado. Esta parte, porém, tento fazer de forma sutil: os fatos vão nas letras, as emoções vão nas entrelinhas. Se tudo der certo, no fim terei passado, de forma satisfatória, minhas visão e idéias sobre determinado tema. É o primeiro passo para uma boa comunicação.

Atualmente, para mim, o maior desafio junto às letras é estabelecer a fronteira entre os fatos e as emoções. Fatos demais e sentimento de menos dão origem a um conteúdo frio - não necessariamente ruim -, em geral adequado a fins formais, comerciais ou de trabalho, mas inapropriado para locais como por exemplo este blog, onde escrevo como forma de lazer. Inverta as coisas, colocando emoção em demasia, e aí sim a vaca vai pro brejo: surge um texto pouco embasado e com aparência imatura.

Entendo que sentimento não se dita: ele deve aflorar naturalmente em quem lê. Quando caímos no erro de escrever o que achamos que o leitor deve sentir, estamos subestimando sua capacidade de interpretar. Quando o leitor percebe que está sendo subestimado pelo autor, o interesse vai embora - e o texto deixa de atingir seu objetivo básico, que é chegar satisfatoriamente ao outro lado. Pura perda de tempo nas duas pontas: a de quem lê e a de quem escreve. Isto foi algo que demorei demais a perceber e que me custou muito tempo jogado fora com textos de qualidade desprezível. Acontece ainda hoje.

Então, onde posicionar esta fronteira? A resposta é: se eu soubesse, certamente escreveria com mais qualidade. Existem pessoas que dominam com maestria a arte de transmitir emoções sem ter de dizê-las de forma literal. A primeira que me vem à mente, talvez por estar em evidência, é a blogueira Yoani Sánchez, do excelente blog Generación Y. Cubana, Yoani dedica sua página a comentar as dificuldades da vida em Cuba, quase sempre criticando a ditadura que lá se instalou. Suas palavras são mansas; seu estilo, centrado e contido. No entanto, é fácil notar a mistura de inquietação, raiva, ansiedade e revolta. Nem sempre estas emoções estão ali, patentes; no entanto, atingem o leitor em cheio. Também me vêm à memória Ali Kamel, Merval Pereira, Reinaldo Azevedo e o sarcástico Diogo Mainardi, que são alguns dos outros que, cada um dentro de seu estilo, sabem provocar no leitor impressões que nem sempre constam de forma explícita em seus textos.

E este é só um dos aspectos, existem outros. Tendo a ser prolixo e pouco objetivo, e a escrever de forma desinteressante e por vezes excessivamente concreta. Eventualmente erro na gramática. Uso advérbios em exagero. Me faltam os adjetivos e um maior domínio do vocabulário e da língua.

Como se vê, há muito o que melhorar, para o benefício de todos os meus 2 leitores.


 
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