Temporama

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Secando a Paciência e o Bolso do Carioca

Sou plenamente favorável a coibir os abusos do álcool por quem vai pegar o volante. Sempre fui razoavelmente responsável com o tema e quando dirigia bebia pouco o suficiente para me permitir voltar para casa sem transtornos. Sempre dirigi de forma prudente e muito raramente me envolvi em acidentes, nunca após beber.

Dito isso, temos agora a seguinte situação: trabalho de segunda a sexta, pago todos os meus impostos, quero sair e beber no fim de semana, e o Governo do Estado do Rio diz que eu não posso ir de carro. Ok. Daqui do meu cantinho, enquanto cidadão, pergunto: "senhor governo, já que eu não posso sair de carro, como faço?"

O governo nos proíbe o automóvel se formos beber. Até aí, tudo perfeito. No entanto, é dever do governo oferecer ao cidadão as alternativas de transporte para que ele continue podendo exercer seu direito de ir e vir. É muito fácil dar uma "canetada" e proibir o uso do carro para quem vai beber, mas e aí? Andar de ônibus de madrugada, no Rio, é pedir para ter problemas. Não há segurança e estrutura alguma para quem quiser fazê-lo. O Metrô fecha às 23h. E aí, sr. governo? Sou obrigado a gastar R$70 de táxi, na bandeira 2, só para tirar o traseiro de casa? Ou o governo passará a subsidiar o táxi pra quem quer ter seus momentos de lazer?

É louvável que haja tanta preocupação com a segurança do cidadão. Mas precisa fazer a coisa direito, ou do contrário fica parecendo mais uma medida de caráter arrecadatório.

Se o objetivo não é arrecadar, por que as blitze se concentram em bairros de maior poder aquisitivo (no caso do Rio, o eixo Barra-Zona Sul)? Se há tanta preocupação com a segurança do carioca, por que os policiais a pé somem das ruas à noite e em dias de chuva? Por que o governo não coíbe as infrações de seus próprios automóveis? Por que a polícia, com sirene e giroscópio desligados, comete tantas infrações de trânsito? Por que a polícia não entra numa grande favela e faz uma apreensão em massa de todas as motocicletas em condições irregulares usando o mesmo rigor que tem caracterizado as blitze da lei seca?

Para piorar, a imprensa carioca (Globo) abraçou a ideia da lei seca. Tem todo o direito de fazê-lo, mas deveria, na mesma proporção e dentro do seu papel de imprensa, cobrar do governo as alternativas de transporte para o cidadão.


 
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