O Transtorno do Ladrão
É lamentável a complacência com a qual a parte da imprensa tem tratado o (ex-?) rabino Henry Sobel. Se é verdade que ele tem um longo histórico de serviços prestados à sociedade - que, de maneira alguma, tiveram sua importância diminuída -, é também verdade que ele furtou gravatas em pelo menos três lojas diferentes do estado da Florida: Louis Vuitton, Gucci e Giorgio Palm Beach. Desta vez a coisa veio a público, e não é possível determinar se Sobel vem furtando impunemente em outras ocasiões ao longo da vida, se é que o tenha feito.
Depois do episódio, pediu dispensa do cargo que ocupava na Congregação Israelita Paulista e foi internado para tratamento de "transtornos de humor" no Hospital Albert Einstein. O rabino foi preso nos EUA em 23 de março, mas somente após o "vazamento" da notícia na imprensa brasileira, quase uma semana depois, tomou as atitudes. O que poderia levar alguém a crer que, caso o episódio passasse em branco por aqui, tudo ficaria por isso mesmo. Ou então, que os supostos transtornos de Sobel só tenham se manifestado depois da divulgação da coisa no Brasil.
O comportamento de Sobel foi atribuído a medicamentos que ele estaria utilizando. Esta tem sido uma das desculpas preferidas entre os ricos ultimamente, o estilista Ronaldo Ésper que o diga. É curioso que os medicamentos gerem nas pessoas a propensão ao furto, e não a, por exemplo, dançar pelas ruas fantasiado de Carmen Miranda, tocando uma zabumba invisível, com um queijo minas pendurado no pescoço e gritando aos quatro ventos que os cabelos de Nietzsche eram tingidos.
Enquanto mães pobres, que não têm o que dar de comer aos filhos, cumprem pena por furtar manteiga no supermercado, Sobel furta itens tão supérfluos quanto gravatas e é tratado como um pobre-coitado que necessita de auxílio.
Este é o reflexo pálido do preconceito arraigado na sociedade: furtos, quando cometidos pelo rico, são tratados como deslizes. Já o negro e o pobre, quando cometem o mesmo delito, são simplesmente taxados como ladrões.
Depois do episódio, pediu dispensa do cargo que ocupava na Congregação Israelita Paulista e foi internado para tratamento de "transtornos de humor" no Hospital Albert Einstein. O rabino foi preso nos EUA em 23 de março, mas somente após o "vazamento" da notícia na imprensa brasileira, quase uma semana depois, tomou as atitudes. O que poderia levar alguém a crer que, caso o episódio passasse em branco por aqui, tudo ficaria por isso mesmo. Ou então, que os supostos transtornos de Sobel só tenham se manifestado depois da divulgação da coisa no Brasil.
O comportamento de Sobel foi atribuído a medicamentos que ele estaria utilizando. Esta tem sido uma das desculpas preferidas entre os ricos ultimamente, o estilista Ronaldo Ésper que o diga. É curioso que os medicamentos gerem nas pessoas a propensão ao furto, e não a, por exemplo, dançar pelas ruas fantasiado de Carmen Miranda, tocando uma zabumba invisível, com um queijo minas pendurado no pescoço e gritando aos quatro ventos que os cabelos de Nietzsche eram tingidos.
Enquanto mães pobres, que não têm o que dar de comer aos filhos, cumprem pena por furtar manteiga no supermercado, Sobel furta itens tão supérfluos quanto gravatas e é tratado como um pobre-coitado que necessita de auxílio.
Este é o reflexo pálido do preconceito arraigado na sociedade: furtos, quando cometidos pelo rico, são tratados como deslizes. Já o negro e o pobre, quando cometem o mesmo delito, são simplesmente taxados como ladrões.
