Temporama

quarta-feira, 28 de setembro de 2005

Nostradamus?

Não sou profeta. No entanto, corroborando o que disse em meu último post, o Globo Online publicou hoje matéria sobre a construção ilegal de um prédio de 11 andares na favela da Rocinha, a maior do Rio. De acordo com a matéria, o prefeito do Rio, César Maia, declarou que prefere prédios na Rocinha a prédios na Orla.

Acabou a polêmica sobre se tenho razão ou não: o próprio poder público admite abertamente aquilo que eu já havia dito aqui neste espaço.

Confira você mesmo em http://oglobo.globo.com/online/rio/170029913.asp .

domingo, 25 de setembro de 2005

Eco-Desgraça

Esses dias a TV exibiu reportagem na qual o biólogo-showman Mário Moscatelli mostrava o lixo jogado na Lagoa da Tijuca proveniente das favelas à sua margem. Nada que chame realmente a atenção, somente o lixaral de sempre: camas, sofás, pneus e tudo o mais. Em um trecho da margem já há um "lixão" informal que, sem estrutura de impermeabilização, polui o solo, o subsolo, a própria lagoa e os manguezais próximos.

Já não é de hoje que a prefeitura e o governo estadual nada fazem para coibir os danos ao meio-ambiente causados pelas favelas. Em compensação, fazem de tudo para evitar a construção dos chamados eco-resorts. O governo (estadual e municipal) demonstra claramente que prefere uma favela ocupando as margens da lagoa a um eco-resort. O governo inventa toda uma gama de exigências ambientais esdrúxulas para os eco-resorts (como, por exemplo, tratar seu próprio esgoto), mas aceita passivamente a expansão das favelas.

A verdade é que nada agride tanto o meio-ambiente quanto uma favela. Os ambientalistas conscientes deveriam eleger o combate à expansão das favelas a sua prioridade número um. A tarefa, claro, caberia ao governo, mas este está ocupado demais, esmiuçando os relatórios de impacto ambiental de shopping centers, eco-resorts, hotéis e centros comerciais. São atividades que geram empregos e aumentam a arrecadação de impostos, mas ao que parece o governo não está nem um pouco interessado.

Vez por outra a prefeitura do Rio põe abaixo mansões construídas em áreas de proteção ambiental. Nada contra. A construção em local não permitido pode e deve ser combatida. No entanto, é muito, muito raro vermos tratores derrubando barracos construídos de maneira igualmente irregular, com o agravante de que muitas vezes o dono do barraco não é sequer dono do terreno. Pela proporção, para cada mansão irregular que é demolida, deveriam ser removidos uns dez mil barracos.

Não há nenhum sinal de que o governo e os ambientalistas venham a apontar suas baterias para o verdadeiro vilão do meio-ambiente. Assim, não há outra alternativa para nós, brasileiros, a não ser continuar vivendo em nossas agradáveis eco-favelas.

Pro Brejo

Acabo de ver, ao vivo na TV, uma vaca (sim, uma vaca) ser vendida por R$ 1,12 milhão, em 14 parcelas de R$ 80 mil. Para comprar o singelo animal, um faxineiro teria de acumular todo o seu salário durante um terço de um milênio.

terça-feira, 13 de setembro de 2005

Fala Mansa

Em mais uma canetada audaciosa, o Presidente Lula instituiu, no último dia 6, o Dia Nacional do Forró. De grande interesse para toda a nação, o dia será comemorado a cada 13 de Dezembro.

Sugiro transformar a data em feriado nacional.

Em respeito ao tema de elevada importância, peço ao leitor que pare de rir.

Amnésia

Outro dia estava preenchendo o contrato de adesão de uma videolocadora. Mesmo sem me atentar para o que estava fazendo, li todos os itens antes de assinar o documento e entregar à atendente. Fiquei lembrando depois de como pode ser possível que José Genoíno tenha assinado, sem sequer chegar a ler, os empréstimos do Banco Rural ao PT. Genoíno repetiu hoje que realmente assinou os documentos sem saber do que se tratavam, já que confiava plenamente no tesoureiro Delúbio Soares.

A tontice de Genoíno, alías, serve de objeto de estudo para a medicina. No começo, disse que não havia empréstimo algum. Quando a existência dos empréstimos foi comprovada, disse que não havia autorizado nada. Quando sua assinatura apareceu no documento, disse que era um só, e que não havia mais nenhum outro. Quando apareceram outros empréstimos, disse ter assinado sem saber do que se tratava. E quando o assessor de seu irmão foi encontrado com cem mil dólares na cueca, disse não ter idéia da procedência do dinheiro. Para completar, hoje disse também que o Mensalão nunca existiu. É de se esperar que no próximo depoimento vá dizer que foi influenciado ao erro pelo Papa-Léguas e pelo Coelhinho da Páscoa.

E eu perdendo meu sábado lendo contrato de videolocadora.

Em tempo, verdade seja dita: o que Genoíno está fazendo não chega exatamente a causar surpresa. Como se sabe, não é de hoje que ele é chegado a "sair da reta" e entregar antigos amigos.

Visionário

Nosso presidente é um homem de visão. Está na Guatemala em busca de oportunidades comerciais e do apoio ao ingresso do Brasil no Conselho de Segurança da ONU. Tenho uma curiosidade: após esta importante visita, quantos negócios de porte considerável o Brasil fechará com a Guatemala nos próximos, digamos, 5 anos?

Não posso reclamar muito, já que, agora, temos o importante apoio da Guatemala à nossa entrada no Conselho de Segurança. Agora, sim.

Fernando Henrique acreditava que liderança não se reivindica, mas se recebe. Lula, no entanto, homem inteligente que é, acredita que chegou a hora de o Brasil impor-se perante o mundo e agarrar de uma vez por todas a posição que tanto merece.

Será que algum brasileiro minimamente esclarecido crê que o Brasil realmente tenha alguma chance de (ou alguma razão para) ingressar no Conselho? Quanto já custou aos cofres públicos a peregrinação de Lula em busca do apoio a essa "candidatura" natimorta?

Lula sabe que não há chances... Ou não?

Castiço

"Não há acusação que não esteja prova". Foi com esta harmoniosa aplicação da língua portuguesa que o deputado Paulo Rocha, do PT do Pará, defendeu-se, em entrevista concedida hoje, das acusações de quebra de decoro. Bem, estou querendo muito. Se neste país nem o Presidente precisa dominar a língua, que dizer de um deputado?

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

Auto-Censura

Estou me esforçando bastante e, como o leitor que acompanha o blog pode perceber, até agora consegui deixar de lado o assunto Marcos Valério, Mensalão e CPI. Não pretendo fazer chover onde já está encharcado.

Todo Castigo É Pouco

É impressionante a lamentável ponta de regozijo com a qual parte dos brasileiros encara tragédias em território americano. A última delas foi o furacão Katrina. Já ouvi dezenas de comentários do tipo "bem feito!" de pessoas de todas as classes sociais. Isso, fora o escárnio que se faz quando se menciona a oferta de ajuda de países como Venezuela e Cuba. Hoje, ouvi de um colega:

-- É, quem manda querer ser o xerife do mundo? Tomaram uma da natureza. Mas não tem jeito, vão continuar querendo mandar...

Veja bem, leitor, o inteligente raciocínio: os americanos querem mandar no mundo e a mãe natureza se vinga, dando a merecida punição aos tiranos. Outros dizem:

-- Hehe, o Fidel ofereceu ajuda! Disse que lá passou o furacão Ivan e não estragou quase nada!

É, tem gente que realmente crê que os lares cubanos são melhor construídos que os americanos. Até Lula ofereceu ajuda! Francamente meu presidente, como o senhor acha que vai ajudar? Mandando dinheiro? Ora, façam-me o favor.

Não dizem que o brasileiro é um dos povos mais solidários do planeta? Eu não estou vendo isso. Vejo, sim, um povo que faz pouco caso da desgraça, mesmo que alheia, capaz de tratar uma tragédia de enormes proporções com ironia e sarcasmo. Mães perdendo seus filhos, crianças com fome e idosos desamparados são desgraça em qualquer lugar do mundo, seja nos Estados Unidos, no Iraque, no Japão ou no beleléu.

Nada justifica que se trate tanto sofrimento com descaso ou com gracejos. Seja onde for, seja com quem for.

Precisava?

Um senhor faleceu hoje pela manhã atravessando a Av. Radial Oeste. Ele preferiu não utilizar a passarela que passava bem acima de sua cabeça.

Mediocridade

Se eu tivesse orgulho de ser brasileiro, teria vergonha de ter um compatriota como Rubens Barrichello. Não por ele ter se vendido e ter aceitado passivamente a posição de mero segundo piloto. Respeito a decisão dele. Sem nenhuma demagogia, é possível que, no lugar dele, eu aceitasse as mesmas condições.

O que me causa desconforto é o jeitinho de menino mimado que Rubens assume. É a sua total aversão a reconhecer sua inferioridade perante seu companheiro de equipe. É o fato de ele declarar que é apenas um brasileirinho e que Fórmula 1 é assim mesmo.

Engraçado. Nélson Piquet, Emerson Fittipaldi e Ayrton Senna nunca tiveram esses problemas, apesar de serem tão brasileiros quanto Rubens. Rubens é segundo piloto porque é, tecnicamente, muito, mas muito inferior a Schumacher. Ponto. A imprensa brasileira fica cheia de rodeios para dizer o que acabei de dizer. Se Rubens disputasse 100 corridas contra Schumacher, com um mesmo carro, perderia 98. Epa, não é exatamente isso que vem acontecendo nos últimos anos?

É perfeitamente normal não ser o melhor. Eu, certamente, não sou o melhor no que faço. É absolutamente aceitável admitirmos que outra pessoa possa fazer algo com melhor qualidade, ou com maior eficiência, do que nós. Não há nenhum problema nisso para mim, mas o mesmo não se pode falar de Rubens.

Temos ouvido de Rubens, temporada após temporada, que dessa vez ele tem chances reais de ser campeão. Recentemente, foi divulgado que ele vai trocar a Ferrari pela BAR e, acredite se quiser, ele diz que desta vez terá reais chances de conseguir alguma coisa.

É isso que me faz perder parte de meu respeito por Barrichello. Ele acha que vai trocar a Ferrari pela BAR e vai ter resultados melhores. Eu não sei se ele realmente crê nisso, ou se está simplesmente ludibriando seus fãs (entre os quais, como já disse, definitivamente não me incluo). É por coisas assim que, hoje, torço até pro Takuma Sato, mas para Barrichello só torço contra.

Rubinho, não me leve a mal, mas entre os pilotos você é só mais um. Desista de querer estar entre os melhores, e aí, quem sabe, eu passe até a torcer por você.


 
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