Temporama

quinta-feira, 30 de junho de 2005

Metástase

Analisando o post da semana passada, que descreveu a história do assassinato de um americano pela VPR, percebi que seria interessante aprofundar um pouco mais o assunto.

No post inaugural do Temporama, eu disse que a liberdade de expressão foi uma das mais importantes conquistas em nosso país nos últimos tempos. Deve ser horrível viver em um país onde não haja liberdade e onde os cidadãos paguem com a vida por dizerem o que pensam. A ditadura foi um dos maiores males que já assolaram este país, e felizmente ela, por enquanto, foi embora.

Na época da ditadura havia vários grupos, naturalmente clandestinos, de resistência ao regime. Muita gente participava da resistência. Havia gente que defendia seus ideais com seriedade e civilidade, como -- apenas para citar alguns exemplos -- Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Ulysses Guimarães. E havia também marginais, que lutavam contra a ditadura praticando assaltos, assassinando e sequestrando pessoas -- às vezes vinculadas ao regime, às vezes não --, e praticando atos de vandalismo e terrorismo. Notadamente, muitos ex-marginais integrantes deste segundo grupo estão vinculados ao partido do governo federal. Citarei apenas alguns poucos: Dilma Roussef, Carlos Minc, Diógenes do PT, José Dirceu (aquele que, na recente cerimônia da posse de Dilma, chamou-a de "minha companheira de armas". Muito comovente, sobretudo com os baixíssimos índices de violência praticada com armas em nosso país. Mas isso é outra história).

Entre os militares e as chamadas "forças de esquerda", é difícil dizer qual dos grupos que, se detivesse o poder, causaria mais malefícios ao país a longo prazo. É uma questão que eu realmente não saberia responder. Não sei quem seria pior.

Uma coisa, no entanto, é fato: os militares não governam mais o país. É até possível que voltem a governar algum dia, mas hoje a idéia não preocupa. A esquerda, ao contrário, ainda tenta conduzir o Brasil.

A ditadura já foi; a esquerda é o câncer que tenta tomar conta do país. Temo que sua espetacular incompetência não seja suficiente para que o criterioso eleitor brasileiro deixe de despejar nela seus votos.

Viva o Rei!

Ainda sobre o mesmo assunto: o brasileiro demonstrou que não estava preparado para uma democracia. Não é culpa somente do povo: desde Getúlio Vargas até João Figueiredo, foram anos e anos submetendo a população à mais absoluta privação compulsória de raciocínio. Certa vez, Pelé disse que "brasileiro não sabe votar". Por ter dito isso, até hoje é achincalhado pela imprensa e pela opinião pública. É bem verdade que, fora de campo, Pelé nunca demonstrou a genialidade que exibia dentro das quatro linhas. Entretanto, pelo menos nesse caso, Pelé tem razão. O brasileiro pondera mais para escolher o número que vai apostar no bicho do que o candidato em quem vai votar. Tem brasileiro que troca voto por camiseta, dinheiro e até por prato de comida. Para cada brasileiro que passa quatro meses decidindo cuidadosamente em quem vai votar, existem dez que votam no candidato que deu santinho ou que aparece na TV dando prato de sopa aos mendigos.

A democracia funciona maravilhosamente bem em países onde a população é esclarecida e bem informada. Não é à toa que as ditaduras se baseiem na desinformação. É difícil admitir, mas temos de quebrar o tabu: está claro que nem todos os brasileiros têm condições de votar. Devemos encarar de frente o fato, sem hipocrisia. Antes que comecem as reações apaixonadas, não estou dizendo que quem vota na esquerda não pode votar. Estou dizendo, sim, que existem pessoas que, votem eles em A ou B ou C, distribuem seus votos sem o mínimo de critério ou avaliação.

Se o voto não fosse obrigatório, eliminaríamos de imediato aqueles que preferem curtir o feriado a votar, ou que votam em qualquer um só para poder se livrar da obrigação. Sei que teríamos dirigentes sem representatividade, muitas vezes eleitos com apenas 10 ou 15% dos votos possíveis, mas antes assim do que o atual estado das coisas. Se um cidadão (cidadão?) de Bom Jesus do Escambau do Norte, analfabeto, deixasse que o paulistano do Morumbi escolhesse por ele o presidente do país, seria melhor para ambos: o paulistano e o de Bom Jesus. Os esclarecidos tendem a escolher canditados melhores para governar a todos, esclarecidos ou não.

Se o leitor discordar, por favor não esculhambe o blog: prefiro que esculhambe o Pelé. Ele já está acostumado.

Orgulho de que?

Sou francamente favorável ao casamento (sem adoção de crianças) entre pessoas do mesmo sexo. Acredito que todos devam ter o direito de conduzir sua vida privada da maneira que lhes convier.

A chamada Parada do Orgulho Gay (não sei se o nome é exatamente esse), no entanto, transforma a luta pelos direitos dos homossexuais numa grande comédia pastelão. Copacabana fica parecendo um zoológico a céu aberto. É uma aberração. Não vejo como um homem fantasiado de galinha possa contribuir para a nobre luta dos homossexuais pelo reconhecimento de seus direitos.

O jornal O GLOBO publicou foto na primeira página da última segunda feira que mostrava dois homens que se beijavam em público para analisar a reação das pessoas ao fato. Duas crianças, com os olhos arregalados, observavam.

Lamento ter de ser tão acertivo, mas a verdade é que, enquanto não escolhe de livre e espontânea vontade seu caminho, nenhum cidadão é homossexual. Por natureza, todas as pessoas são heterossexuais até que algo, seja o que for, altere o desenrolar natural das coisas.

Quando os homossexuais usam seu comportamento com a intenção deliberada de chocar, principalmente a crianças e idosos, estão na verdade agredindo. Estão querendo que a sociedade admita na marra que gostar de pessoas do mesmo sexo seja natural.

Não, natural não é. O natural é que as pessoas se relacionem com pessoas do sexo oposto. Se a natureza tivesse projetado o ser humano para ser homossexual, a humanidade simplesmente não existiria. Eu só estou aqui escrevendo, e você aí, lendo, porque homens gostam de mulheres e vice-versa.

Não se confunda: acredito que a sociedade esteja caminhando para uma tolerência saudável, em que as pessoas se respeitem mutuamente independentemente de qualquer opção que possam exercer em suas vidas. Sem querer me valer do clichê, creio profundamente que as pessoas não devem sofrer distinção em função de raça, sexo, religião, classe social ou opção sexual. Tenho grandes amigos e amigas negros, brancos, homossexuais, judeus, espíritas, ateus, ricos e pobres. Distinguir as pessoas por qualquer desses fatores é, no mínimo, um sinal de desmesurada ignorância. Não tenho nada contra ou a favor dos homossexuais. Mas não posso concordar com a atitude de agredir.

O nome do evento para homenagear os homossexuais e ajudar a reivindicar o reconhecimento público dos seus direitos não deveria ser "Parada do Orgulho...". O próprio nome já configura beligerância. Ser gay não é motivo de orgulho, assim como ser branco também não é. Ser gay é uma opção de cada um, e pronto.

Se eu fosse homossexual, a última coisa que faria seria comparecer à Parada do Orgulho Gay.

quinta-feira, 23 de junho de 2005

Yo No Creo en Brujas, Pero...

Eu sou corrupto.

Você, que neste momento está lendo este blog, também. Pelo menos, é esta a opinião de nosso presidente Lula. Soberbo, com a arrogância típica da totalitária esquerda brasileira, ele declarou ontem que "ninguém tem mais autoridade moral e ética para combater a corrupção" do que ele.

Se Lula perdoar minha petulância, gostaria de saber em que fatos se baseou para concluir que é a única pessoa honesta desse país. Será mesmo que, dentre nós, brasileiros, não haja ninguém que seja honesto, impoluto e correto, tal como nosso presidente se autoproclama?

Desculpe, Sr. Presidente, mas, infelizmente, é possível que o senhor esteja errado. Talvez haja alguém entre nós que, quem sabe, tenha mais autoridade do que o senhor para opor-se a toda a devassidão que tem prevalecido em todas as esferas de seu governo.

Talvez eles não façam parte de seu convívio, Sr. Presidente, mas acredite: conheço muitos brasileiros honestos. Conheço brasileiros de todas as classes sociais que vivem honradamente com o dinheiro oriundo de seu próprio trabalho, ao contrário do senhor, que por décadas viveu sem trabalhar, com renda proveniente de fontes escusas.

Sei que pode parecer inconcebível aos seus olhos, Presidente Lula, mas conheço pessoas que pagam seus impostos e cumprem com todas as suas obrigações para com o Estado, mesmo sabendo que grande parte dos tributos que pagam é usada para sustentar o seu partido, seja através de meios ilícitos ou do dízimo que seu partido cobra de todos os afiliados que ocupam cargos públicos.

Compreendo que, sendo o Senhor um ex-sindicalista que tornou-se político de esquerda, talvez não esteja ainda perfeitamente acostumado a partilhar do convívio de pessoas que possuam tanta honestidade quanto o senhor diz ter.

Pessoas corretas, Sr. Presidente, são como as bruxas: o Senhor pode nunca tê-las visto, mas acredite: elas existem.

quinta-feira, 16 de junho de 2005

Pula a Fogueira, Iaiá!



Estamos na época das festas juninas. Nunca gostei de festas juninas. Os balões queimam nossas matas, os fogos queimam as nossas mãos e a comida é geralmente feita "nas coxas" e de baixa qualidade. Isso sem contar um monte de gente se enfeiando com roupa rasgada e pintando a cara, e participando de gincanas grotescas. Nosso presidente, no entanto, gosta muito. No ano de sua posse foi realizada, na Granja do Torto, uma grande festa junina. Na época, o fato foi noticiado em vários jornais. O que a imprensa, então chapa branca, daquelas lavadas com OMO Progress, não mencionou foi a total e absoluta manguaça pela qual passou o nosso presidente cachaceiro. As fotos mostram o Presidente da República Federativa do Brasil, décima economia mundial, fantasiado de caipira, suado, com os cabelos desgrenhados e os olhos esbugalhados. Estou postando apenas uma delas, na qual nosso ilustre presidente aparece ao lado de nossa distinta primeira-dama, Dona Marisa.

É, acho que finalmente o Brasil tem o presidente que merece.

Desistir, Jamais

Dona Gertrudes é uma senhora de classe média-baixa que vive no subúrbio de uma grande cidade brasileira. Levando uma vida esforçada, ela sustenta, sozinha, seus seis filhos. Para isso, conta com a minguada remuneração que ganha vendendo cosméticos de segunda categoria para as suas amigas e conhecidas. Dona Gertrudes, no entanto, não reclama: ela sabe que a vida poderia ser pior.

Dona Gertrudes ainda encontra tempo para comparecer aos eventos promovidos pelas Jovens Senhoras Unidas para o Auxílio dos Necessitados, grupo assistencial ao qual pertence. O grupo inteiro se reúne a cada ano na casa de um dos membros para confraternizar e comemorar mais um ano em atividade. Naquele ano, Dona Gertrudes decidira que a festa seria em sua casa. Outras senhoras do grupo haviam oferecido suas residências, algumas delas verdadeiras mansões com vários empregados e grandes jardins. Ainda assim, naquele ano Dona Gertrudes não arredava pé. "Minha casa é simples, mas vai ser divertido!" dizia Dona Gertrudes às amigas. Dona Gertrudes tanto quis que conseguiu. Foi escolhida para sediar o evento daquele ano.

Pela tradição, o evento é patrocinado pela dona da casa onde ele acontece, e Dona Gertrudes sabia disso. Ela havia feito e refeito todas as contas e todos os planos, e concluiu que, com algum esforço, teria todo o dinheiro suficiente para bancar a reunião.

Os meses foram passando, e antes que Dona Gertrudes se desse conta a semana do evento havia chegado. Certo dia, ela pegou todo o dinheiro que havia poupado e foi ao supermercado fazer as compras para o grande evento.

Quando estava passando as compras pelo caixa, Dona Gertrudes viu que o dinheiro que ela havia guardado com tanto esforço não chegava a ser suficiente para pagar sequer a metade do valor das compras.

Dona Gertrudes não sabia o que fazer. A festa estava agendada, e os convidados já estavam se preparando. Não havia mais tempo de desistir e transferir a festa para a casa de outra pessoa do grupo. Dona Gertrudes caiu em desespero.

Contei essa triste história para realizar uma analogia com a candidatura do Rio de Janeiro para os Jogos Panamericanos. O Comitê Olímpico Brasileiro, na figura de seu presidente -- praticamente já um monarca -- Carlos Arthur Nuzman, fez todas as contas. Junto com a prefeitura, o COB concluiu que, com esforço, conseguiria quase a totalidade dos recursos para os jogos. A prefeitura daria uma parte, o governo do estado daria outra parte, o governo federal daria a sua e a iniciativa privada idem. A planilha de custos e recursos do evento foi devidamente demonstrada para o comitê que escolheu a cidade-sede.

Nesta semana, no entanto, o presidente-monarca do COB foi à câmara dos vereadores explicar que, infelizmente, os cálculos estavam errados. Faltando apenas dois anos para o evento, e com a maioria das obras ainda por iniciar, a nova previsão orçamentária é nada mais, nada menos que o dobro (sim, o dobro) da inicial. Para piorar, estão "aparecendo" canos da CEDAE e outras coisas mais em locais que deveriam ser preparados para os jogos. Ainda não se sabe de onde virá a verba complementar para os jogos, mas o fato é que Carlos Arthur Nuzman disse que é "natural" ocorrerem coisas desse tipo.

Sim, é natural. Aqui no Brasil, conconcordo, é natural. Mais que isso: é de se esperar. E pensar que o Rio quer sediar uma Olimpíada!

A verdade é que nem o Rio nem qualquer outra cidade brasileira tem condições de se candidatar a sediar os Jogos Panamericanos. Na esfera esportiva internacional podemos, no máximo, sediar copas de natação ou campeonatos de handebol. Qualquer coisa muito além disso nos faz passar o papel ridículo que estamos passando. O brasileiro é assim mesmo: não tem competência para sequer manter suas crianças longe das ruas, mas acha que pode sediar grandes competições internacionais. Afinal somos brasileiros, e brasileiro, como se diz, não desiste nunca. Vamos fazer os mais capengas Jogos Panamericanos da história, e depois vamos querer fazer Olimpíada.

É isso aí, Brasil. O Pan é nosso. Agora só faltam a Copa do Mundo e as Olimpíadas. O presidente-monarca do nosso Comitê Olímpico, Carlos Arthur Nuzman, mostra que é um homem sensato, competente e responsável.

Vira-Casaca

Há poucos meses passei uns 10 dias na Tunísia. Ontem, assistindo na TV o jogo Argentina x Tunísia pela Copa das Confederações, flagrei-me, pela primeira vez na vida, torcendo fervorosamente pelos nossos nobres co-irmãos portenhos. O jogo terminou Argentina 2 x 1 Tunísia. Tomara que eles sejam rapidamente desclassificados e voltem logo para casa, porque toda vez que escuto a palavra "Tunísia" sinto calafrios.

Dá-lhe, Argentina!

Balanço da Primeira Semana

O blog agradece pelo grande número de acessos da sua primeira semana. A divulgação mal começou, e a quantidade de acessos e page-views superou as mais otimistas expectativas. Obrigado a cada um de vocês.

Aparentemente o termo que usei, "brasileiro médio", não foi bem interpretado por alguns, e rendeu ao blog alguns comentários "esculhambativos". Fui até obrigado a remover alguns comentários que continham palavrões e ofensas. Para evitar mais melindres, substituí o termo "médio" por "típico". Em todo caso, lembro que, se você está acompanhando esse blog é porque tem acesso à internet, sabe ler e ainda por cima se interessa em pensar a realidade que nos cerca. Lamento, mas você não pode nem de longe se autodenominar um brasileiro médio.

Mais uma vez, obrigado a todos os que acessaram o blog e fizeram seus comentários. Elogiem, critiquem, continuem assim. O blog é de todos.

quinta-feira, 9 de junho de 2005

O Fim do Décimo-Terceiro

Ontem recebi por e-mail a notícia do fim do décimo-terceiro salário. A mensagem, em tom de revolta, continha as fotos dos deputados que supostamente votaram pelo fim do benefício, e conclamava o destinatário (no caso, eu) a encaminhá-la para outras pessoas para divulgar a "pouca-vergonha".

Imaginando como alguém pudesse acreditar, mesmo que com uma pontinha de dúvida, que o décimo-terceiro pudesse ser varrido do mapa, de uma hora para outra, sem nenhuma divulgação por parte da imprensa falada e escrita, deletei a mensagem. Mas nem tudo foi em vão: o episódio serviu para, pelo menos, motivar essa postagem.

O que mais prejudica o trabalhador no Brasil é o excesso de direitos trabalhistas. Na verdade, não existe maneira mais eficaz para inibir o emprego do que criar direitos trabalhistas. A quantidade absurda de direitos que o trabalhador possui aliada ao excesso de tributos gera uma daquelas poucas equações perversas em que todos saem perdendo: o governo, o empresário e, sobretudo, o trabalhador.

Não é por opção que cada vez mais pessoas se vêem trabalhando em meio à mais absoluta informalidade, longe de qualquer amparo legal, sem contribuir para a previdência e sem virtualmente nenhum direito. A tendência para longo prazo, em permanecendo a conjuntura atual, é de que a legislação trabalhista abranja um número cada vez menor e menos significativo de trabalhadores, e caduque. No fim das contas, o país inteiro se tornaria uma terra selvagem e sem lei, como uma espécie de grande camelódromo de bens e serviços.

Depois do excesso de direitos e encargos, o que mais prejudica o trabalhador no país são os sindicatos que o deveriam prestar assistência. O trabalhador contribui compulsoriamente para um sindicato geralmente incompetente e corrupto, dirigido por pessoas que estão menos interessadas em trabalho e mais interessadas em politicagem e locupletação. Estes sindicatos tentam passar para o trabalhador uma idéia falsa de eterna "luta" de classes entre trabalhadores e patrões, onde os primeiros são sempre as vítimas dos segundos.

Quando a lei dificulta a demissão de um trabalhador, inibe-se, em igual proporção, a contratação. Se não se depositasse uma carga tão pesada de encargos e deveres nas costas do empresário, haveria milhões de empregos a mais no país. Haveria mais famílias com renda e vivendo com dignidade, mais gente gastando, aquecendo a economia, gerando arrecadação para o governo e, sobretudo, criando mais empregos.

Somente com uma reforma ampla e generalizada nas relações de trabalho seria possível interromper o círculo vicioso que produz a equação perversa mencionada anteriormente, e transformá-la em uma equação benigna na qual todos os setores da sociedade só teriam a ganhar.

Nas próximas eleições vou procurar, quase sem esperanças, um candidato que defenda essa pouca-vergonha.

O Melhor do Brasil é... O Brasileiro?

O melhor do Brasil é o brasileiro. Pelo menos, é o que dizem de maneira ufanista várias propagandas que tenho visto por aí, inclusive do próprio governo. É injusto dizer isso de um país tão generoso. O Brasil é um país privilegiado em todos os aspectos, menos em relação à sua população. O país tem tudo do bom e do melhor: extensa área territorial, excelente solo para cultivo, incalculáveis reservas naturais, clima bom durante todo o ano. Nada de nevascas ou furacões, vulcões ou terremotos. Temos rios em abundância, seja para navegar, pescar ou produzir energia. Nossa riqueza animal, vegetal e mineral é famosa mundialmente. Nosso litoral é dos mais belos e ricos do planeta. A natureza nos agraciou com todos os ingredientes necessários para sermos uma superpotência econômica.

Como explicar, então, o estado atual das coisas?

A verdade é que o que estraga este país é seu povo. Talvez o correto fosse dizer que o pior do Brasil é o brasileiro. O brasileiro típico é preguiçoso, mal-educado, despreocupado, subserviente, esculhambado, pouco inteligente e de quebra se reproduz que nem coelho. É tão lamentável quanto verdadeiro.

Sei que esta realidade tem raízes lá no passado colonial, quando Cabral trouxe na bagagem a corrupção e a incompetência. Mas o fato de o povo não ser o único culpado por sua própria mediocridade não nos dá a razão para sair dizendo, de maneira demagógica e mentirosa, que o povo é o que há de melhor nesse país.

O que diriam alguns se o governo dos Estados Unidos fizesse propaganda afirmando que "o melhor da América é o americano"?

O mais espantoso é que nós sabemos da falta de capacidade do brasileiro típico, mas por alguma força oculta teimamos em cultivar um sentimento coletivo de que nosso povo é mesmo essa coisa toda.

É incrível como não nos cansamos de ficar dizendo essas bobagens por aí.

Demorou, mas Saiu!

Uma das poucas conquistas realmente importantes em nosso país nos últimos tempos é o direito de expressar livremente o que pensamos. Assim, após anos amadurecendo a idéia, finalmente decidi dar ouvidos às sugestões de criar este espaço. A página está no ar em caráter experimental, e todas as críticas e opiniões são sempre bem-vindas. Prometo que me esforçarei para manter as atualizações em dia, mas por favor não me culpem por priorizar o lazer e não o blog. Para falar a verdade, ainda não sei se terei a paciência e a dedicação necessárias para manter a coisa toda funcionando.

Àqueles que me sugeriram criar blogs sobre outros assuntos só posso dizer que suas idéias não foram esquecidas.

Ah, sim: o mais importante. Não hesite em publicar o seu comentário (civilizado!) sempre que quiser, quantas vezes quiser.

Obrigado a todos os que, de uma maneira ou de outra, colaboraram (e colaboram) para a existência desse espaço (vocês sabem quem são!).


 
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